Eu, mulher negra filha de uma mãe negra e trabalhadora doméstica me senti profundamente atingida por esse estereotipo profissional, mesmo não comprovando ele na prática. Dentro de onde cresci sempre fui coagida pelos meus pais a ter um futuro diferente do que eles tiveram, a estudar, ter um emprego que me fizesse feliz, dentre outras coisas que todos os pais desejam para os seus filhos. Mas mesmo assim, passando por escolas públicas precárias e um ensino ruim, sempre dentro de mim ficava aquele receio de um dia não conseguir o que eu sonhava e aceitar o destino que me era dado e colocado desde o meu nascimento aos meus pés.
  • Santos

    Aí é que está; 127 anos se passaram. Só!!!!
    Nosso povo foi escravizado (aqui no Brasil) por mais de 300.
    Venho repetindo isto em todos os blogs que passo, onde tenho a sensação de que tentam transmitir o quão distantes estamos de “1888”, que é uma data!
    Estamos com o pé na senzala fria, o tempo de escravidão não parece longe de 2015.
    Eu olho e ouço meus parentes de 90 e 102 anos e sei bem o que eles sabem.
    Será que é difícil assim achar outros negros com avós e bisavós vivos, lúcidos e com história de vida na memória??

  • Bruno Duarte

    Oi Mara, tudo bem?
    Li seu texto somente agora, passado um ano de publicação. Contudo, sem dúvidas, sua reflexão é muito atual e arguta. Grato por compartilhar!
    Com um abraço,
    Bruno.

  • Comecei cedo no trabalho doméstico, parei de estudar, pois não dava conta de trabalhar e estudar, pois o trabalho doméstico é massacrante…tive poucas oportunidades, aproveitei como pude, mas sempre com a auto estima minada por estar sempre em desigualdade social.
    Hj com a inclusão digital, tenho acesso e informação que se tivesse na década de 90, talvez pudesse fazer diferença na minha história. Mas vamos em frente perseguindo o sonho.

  • Aline

    Eu já ouvi também argumentos sobre o sofrimento dos italianos ao virem para o Brasil, até entendo mas não se compara nem de longe ao dos negros, e também a regalia que os italianos tem até hoje. A maioria esmagadora fala que a população do Sul é a mais bonita.
    Um dia ouvi uma reportagem sobre satisfação com beleza, e a repórter disse: ” Por incrível que pareça, as mulheres do sul são as mais insatisfeitas com sua aparência e as do nordeste as mais satisfeitas.
    Também fico p. da vida com uma colega minha que se declarou negra para usufruir do PROUNI ( ela é parda) mas na hora de falar os negros, fala eles, enquanto deveria falar nós.

  • Aline

    Eu acho que o serviço domestico precisa ser cada vez mais caro, as famílias precisam mudar seus comportamentos e parar de explorar. É inadmissível pensar que tem gente que ainda pensava se a PEC das domesticas seria favorável,pois aumentaria o desemprego (SiC). Se uma pessoa não tem condições, não tenha. Classe burguesa de m…. Lá na cidade que morava uma conhecida tinha 2 empregas, pagando 80,00 para uma 120,00 para outra. Isso quando o salario ja era mais de 400,00.

  • Arlete Ubiali

    Precisamos superar estes preconceitos, principalmente com as empregadas domésticas,sejam
    elas de qualquer raça, pois elas cuidam do que temos de mais precioso: nossos filhos e nossa casa! Vamos refletir nisso!

  • Otimo texto!

  • No Paraná, em 1945 uma mulher, negra e “criada de servir” se diplomou e tornou-se a primeira Engenheira do Sul do Brasil e a Primeira engenheira Negra do Brasil – ENEDINA ALVES MARQUES – e contrapõe “Eu, mulher negra filha de uma mãe negra e trabalhadora doméstica me senti profundamente atingida por esse estereotipo profissional, mesmo não comprovando ele na prática”. por isso, peço que entrem em contato para que possamos também contar outras Histórias – Tenho Pesquisa Completa precisamos publicar.

  • Arthur Rezende Filho

    Infelizmente o Brasil anda sempre na contra mão. Sempre voltado para a minoria (dominante é claro), oportunidade nunca foi o forte do pais. O forte é o assistencialismo fazendo na maioria cidadãos encabrestados e acomodados.

  • aline

    Quando era babá, me sentia uma mucama. Minha patroa era branca e eu negra. Ela ainda achava que nós funcionários não tínhamos direito a comer de tudo e nem lavar as roupas na máquina de lavar.

  • Marieta dos Santos da Silveiora

    òtima reflexão a respeito da nossa história, ou seja das mulheres negras. Tenho também muito orgulho das mulheres negras da minha família que através do seu trabalho contribuíram para que muitas de nós fugíssemos desse destino naturalizado pela sociedade, de pessoas de baixa remuneração e trabalho exploratório. Alguém disse e eu repito que a PEC das domésticas concluiu a Lei Áurea. Agora sim esse profissão será encarada com o devido respeito que merece.

  • Milena de Sousa

    Há tempo ouço e leio textos sobre a escravidão negra no Brasil e esse texto reflete a realidade de nossas avós, mães, tias, irmãs e tantas mulheres que não tem perspectiva nenhuma de vida com isso. Eu acredito que algumas lutam diariamente pra mostrar uma vida diferente a seus filhos. Sou filha e sobrinha de mulheres negras que já trabalham há muito tempo como domésticas e como são desvalorizadas.

  • A começar em nós. Há anos quando precisamos de uma pessoa para trabalhar em nossa casa, mesmo sem as empregadas domésticas terem direitos trabalhistas, nossa família decidiu pagá-los. Férias, 13º, recolher os impostos, assinar a carteira. Somos negros e vivemos essa mesma realidade. Contratamos uma pessoa maravilhosa que nos ajudou durante 5 anos. Chegou em um momento em que minha mãe precisava de repouso. Sei que, como nós, outras pessoas fazem o mesmo. E não devemos nos calar e nem compactuar com injustiças. Se não pudermos dar ao trabalhador o que lhe é de direito não o contrataremos. Eu creio que muitas conquistas estão por vir. “E há que se cuidar do broto, pra que a vida nos dê flor e fruto”.

  • No ano passado, tive o desprazer de ouvir o meu chefe falando da diferença entre negros e italianos com um amigo. Ele disse que os negros são preguiçosos, que talvez isto decorreria do fato de que na Africa só se moviam pra caçar comida (SÓ!), enquanto que o italianos eram trabalhadores natos e por isso estavam em melhor posição aqui no Brasil. E depois ainda dizem que não existe racismo. De racistas e ignorantes estamos cheios. O meu ex chefe, não obstante um MAGISTRADO aposentado, preferiu ignorar o fato de que os italianos receberam do governo uma porção de terra como incentivo de uma vida nova, após o que passaram. Negros não! E a luta nossa não é só para estudar e ter uma boa profissão, na nossa luta também inclui toda uma conjuntura social preconceituosa. Que texto!

    • Exatamente! Os anos se passam, os tempos de escravatura parecem estar longe, mas as relações racistas continuam. Muio obrigada pelo comentário e fico muito feliz que tu tenha gostado do texto.