Por Anna (Preta) Cristina de Almeida para as Blogueiras Negras

O estilista Rick Owens inovou com um desfile arrojado, animado e questionador.

O mundo da moda, em suas limitadoras padronagens, raramente destaca a beleza da mulher negra e da mulher gorda. A supermodelos Jourdan Dunn (a 28a mais poderosa do mundo) denunciou, em Junho deste ano, que havia sido cortada do desfile de alta-costura da grife Dior em decorrência do tamanho dos seus seios, considerados “fartos” para uma modelo. No seu twitter, disse ironicamente: “Normalmente cancelam-me por ser negra, portanto o cancelamento por causa dos meus peitos é de o menos”. Apesar das defesas da Dior – e de diversas outras marcas – quanto a presença de modelos negras, as estatísticas apontam que elas não chegam a ocupar 5% do elenco dos grandes desfiles, sobretudo nos de alta-costura.

Desfile Rick Owens. Reprodução

Desfile Rick Owens. Reprodução

Dunn foi cortada dos desfiles em Paris de Inverno – cidade palco para a inovadora proposta de Rick Owens na coleção da Primavera. Diferente de todos os demais estilistas, ele apostou nas modelos plus size, em sua maioria negras, que fizeram uma belíssima performance de step dance para apresentar sua coleção. As roupas, com alfaiataria rígida em tons de preto, branco e terra, vestiam mulheres reais que transferiram o enfoque da sua forma física para sua arte.

A step dance é uma dança percussiva, cujos sons são produzidos pelo corpo, através das batidas dos pés e das mãos. Uma dança forte e expressiva, assim como as modelos do desfile de Owens. Divididas em dois grupos com coreografias distintas, as dançarinas foram recrutadas de várias cidades distintas e não tem o hábito de desfilar – o que as mostra ainda mais próximas às mulheres reais.

O resultado desta ideia questionadora e relevante, obviamente, foi atentar para o mundo que as mulheres reais podem (e devem), ser mulheres admiradas. A moda pode quebrar os grilhões que aprisionam tantas moças apegadas aos padrões. E ainda prova que a celebração da diversidade racial e corporal é comercialmente relevante, esteticamente valiosa e capaz de promover um espetáculo belíssimo.