Meu pai sempre foi o tipo de negro que fingiu a vida toda que o racismo nada tinha a ver com a vida dele. Sempre negou sua raça e suas origens, o que para mim trouxe consequências terríveis uma vez que nunca me senti a vontade para dividir a dor de passar pelo racismo que eu passava na escola, por exemplo. Como todo negro q ue nega suas origens meu pai não poderia fazer diferente, escolheu uma mulher branca para se casar. As consequências desse ato, que decorreu da falta de orgulho de si mesmo que meu pai sentia, trouxe-me as piores consequências. A mulher que meu pai escolheu, minha mãe, além de ser branca é também racista. Com certeza alguém dirá: impossível! como uma branco racista pode se casar com um negr? A resposta a essa pegunta não é nenhum pouco simples, mas, no caso da minha mãe, e pelo que ela própria relata, parece ter ocorrido uma certa falta de opção.
  • Stefany Rosa

    Eu me identifiquei tanto com esse texto, me vi em cada linha. Além de se referir a família do meu pai como “raça ruim”, minha mãe se refere a mim e ao meu irmão, que também é negro, como “raça ruim”, porque, segundo ela, puxamos a família do meu pai. Enquanto, a minha irmã que é branca, puxou à ela, “raça boa”, mesmo sendo filha do meu pai. Cresci ouvindo ela dizer que eu tenho inveja da minha irmã.

  • Anderson Luka

    A verdade e muita dolorosa ! Principalmente para quem sente o racismo em sua própria família, coisa que acontece diariamente e fica velado em nosso próprio lar. Umas das coisa que mais tem e pessoas racista no meio familiar, as vezes os próprios pais querendo que os filhos embranquece a família.

  • Rosa

    Nossa! Que relato impactante!
    Só mesmo quem “sente na pele” para descrever, de forma tão autêntica e lúcida, tais situações dolorosas.
    As pessoas que não passam por isso, deveriam ter a obrigação de ler textos como esses antes de classificar e rotular o racismo como “frescura”.
    Eu que sou considerada “morena”, de cor “branca” na certidão de nascimento, tenho que ter peito para usar meu cabelo ao natural. Por ele ser “cheio”, depois do advento da escova progressiva, sou constantemente “aconselhada” a fazer as pazes com o formol, ao que respondo com um sorriso: sou leoa.
    Minha admiração e total identificação com a cultura negra. O blog é uma pérola rara. Parabéns!

    • passei por situação semelhante, mas com uma tia negra que queria embranquecer a familia e parece que meu pai atrapalhou um naomoro dela na juventude, resultado,maltratou e humilhou todos os sobrinhos, os genros negros que apreciam eram enxotados (até uma celebridade negra não se tornou genro por interferencia dela)eu ouvia de um vizinho, “que negro quando dorme com branco é por que o cobertor é do negro” esse vizinho que me fortaleceu

  • Nayara

    Sim, sim para tudo, tudo.

    Me reconheço em todas as linhas. Minha história, minha vida. E deixo um abraço muito apertado de força para quem escreveu, que realmente poderia ser eu. Eu conheço sua dor.

  • Maria Luiza

    Texto fantástico.. Não sei como ela conseguiu mante-se firme todos esses anos.. Mas não merecia ter uma pai que nega a raça que pertence as raízes que carrega consigo e para tentar elevar sua autoestima casa-se com uma mulher branca que só faz mal a sua própria família, falas que abalam o psicológico de sua filha, e falar mal da filha e de seu cabelo.. Infelizmente estamos num século em que a mulher negra para ser reconhecida e aceitada na sociedade precisa ter os mesmos valores que algumas mulheres brancas ao qual eu discordo! Será mesmo que a mulher branca serve para casar e a mulher negra não?

  • Carla

    Texto sensacional e muito importante para alertar sobre esse problema, que é muito pouco comentado por aí. Com exceção da parte de falar mal do meu pai pra mim – coisa que nunca aconteceu, é a mesma história da minha vida… triste como essas coisas se repetem.

  • gilson rego

    Excelente, gostei demais!

  • Fabio

    Incrível e extremamente corajoso. Faz pensar…

  • Concordo Dulci. Lembro de minha infância em colégio particular e sendo motivo de risadas, tanto quantdo manifestava apreço por alguma colega branca ou quando alguém passava e gritava “vai, ô, Cirilo!”. Sei que não estou na base da pirâmide de relações sociais, como a mulher negra – e já escrevi sobre isso ao site Mundo Negro – mas sei que o racismo também me afetou, e a tantos como eu que sendo negros, tiveram condições financeiras mais confortáveis do que a maioria. A mulher está na base, na solidão, mas o homem negro está equiparado, pois, mesmo que arranje uma branca (como eu já fiz algumas vezes por pura vaidade), estará ascendendo socialmente – na cabeça dele – mas estará sem saber quem ele é e sem se dar valor.

  • “Saravá. Às que choraram com isso. Almas brilhantes. Gratidões pelo tão simples e sincero arquivo. Blocagens, estas blogagens negras que diluem a escravidão da mente alegrando Olodumarè. Poetisa anônima, poesias de asè! Saiba que represento o répão entriotrasfita e fecho lado-a-lado até o fim com as suas ideias, elas são fatos inquestionáveis. Pintando quadros e assinando em baixo elevei-me e superei isso com a Arte. Minha companheira amada até tempos atrás me mandou um escracho a este escroto, personagem vacilão, espelho de ninguém, ela tá bem ligada nas angústias que passei na escola quando era pivete, sendo zuado pelos “amiguinhos” por conta dessa porra de carrossel racista do caralho. Contrição só. Willie Lynch, mundialmente conhecido como Zumbi dos Palmares do Linchamento, sem descolar, ramelou nas ideias, nos norteou sem se dar conta de que deixou-nos todos os nossos caminhos que nos levam até a nossa mútua prosperidade completamente sinalizados de trás para frente. Pirem nisso Cirilaiadas, meramente cartas fora do baralho e relembrem-se diariamente: a casa é pequena, mas o coração é grande! “

  • Nany

    Texto maravilhoso e verdadeiro.

  • Wadson Xavier de Souza

    Parabéns pelo texto, pela CORAGEM e consciência em abrir o tema com um exemplo completamente pessoal e que pode ser claramente visto em outros tantos casos.

  • Parabéns pelo texto, ajuda a muitos que não tem como imaginar essa situação compreender um pouco do que acontece na mente de quem sofre esse abuso cruel e sistemático.
    Não consigo imaginar como é se sentir inferiorizada pela própria mãe. Muita coisa que você escreveu lembra o que minha falecida avó falava as vezes.
    Tomara que elucide outros também.

  • G.

    Senti uma angústia imensa lendo esse relato. Meu marido é branco, nunca notei nenhum tipo de preconceito escrachado vindo da parte dele ou da família, pode ser que como no caso do seu pai eu e minha família temos condições financeiras infinitamente melhores do que a dele e família.
    Mas diversas vezes vendo filmes onde mostra por exemplo a segregação nos EUA ele pensa ser “exagero” ou qdo existe um preconceito evidente ele também acha que é exagero…óbvio só sentindo na pele.

  • Aprendo muito com o blog sobre os sentimentos das mulheres negras na sociedade. As vezes fico confusa pois o racismo e machismo estão arraigados e aqui posso refletir e entender muita coisa.

  • Nossa… É triste ler e perceber as marcas do racismo ainda em seu texto. Percebo muita amargura… Para além de enfrentar o racismo que é um fato social em nossa realidade, hoje precisamos nos livrar das correntes, deixa-la no passado e fazer/criar um mundo em que nos sentimos sujeitos de direito, ser mais fortes do que nos percebemos e transcender. Não quero que meus filhos vivam amargurados sem ter e pertencer a um lugar no mundo, trabalho sempre a alto estima deles e o empoderamento. Anônima, espero que você com toda sua compreensão e poder de crítica seja um agente de mudança em sua vida e um exemplo para os demais afrodescendentes do nosso país. Lamentável sua história e também como se sente em relação à ela.

  • Mayara Durães

    Correção: Massacrava não, massageava.

  • Mayara Durães

    Sou filha de um mulato e uma branca. Nunca ouvi desaforos da minha mãe em relação a minha raça, ou cabelo, ou se sou feia. Nenhuma vez minha mãe falou mal do meu pai como base o diminuindo por ser negro. O engraçado e que ela foi criada por uma família branca de racistas, todas as minhas tias se casaram ou tiveram relações com negros mas são preconceituosas. Minha avó e avô não aceitaram no começo mas se apaixonaram por meu pai por ser o homem bom que eh e sempre os ajudou. Minha avó só confiava no meu pai para dirigir. Meu pai massacrava a joanete do meu avô, coisa que os filhos não faziam. E em contrapartida, no lado da família do meu pai eu sou também a única neta negra com meus primos brancos e sempre fui tratada diferente. Que ironia!

  • Dulci

    Texto incrível! Importante! Por isso que não acho correto o “linchamento” aos homens negros que tem relacionamentos com mulheres brancas. A ação deve ser de educação, conscientização e acolhimento. Esses homens também sofrem! Não se aceitam! Não se amam! Não se trata APENAS de desvalorização do outro (a mulher negra), mas de desvalorização de si próprio. A autoestima deles também precisa ser trabalhada.

    • Carla

      De acordo! Esses homens também precisam ser trabalhados quanto a sua auto estima!