Um estupro não termina quando o agressor larga os nossos corpos, ele continua quando não acreditam em nossos relatos, quando duvidam da nossa dor, quando não lutam pelo fim do machismo na sociedade, quando insinuam que nossos corpos existem para serem consumidos, quando nos negam a possessão de nossos próprios corpos e quando tentam nos calar. O machismo mata todos os dias.
  • Viviane

    Vc é muito forte de ter colocado pra fora tudo isso.Vamos continuar lutando,vc é prova disso. Todos meus sentimentos pra vc.

  • Eu

    Minha querida, eu entendo sua dor. A sensação de que se foi tirada de si mesmo, o sufoco, o ar sendo inspirado, mas de uma forma que não preenche os pulmões, o medo, o desespero por não poder compartilhar e a ideia de que não há respeito, que não existe homens bons. Por mais que eu tente, me vejo sempre rodeada de machistas, aquele jeito de olhar na rua, aquelas críticas, tudo, tudo me remete a isso, somados com toda uma sociedade que parece cega e indiferente. Também tenho pânicos e o pior é a indignação de que nós temos que de alguma forma nos adaptar a toda essa loucura para sentirmos menos dor. Te desejo sorte do fundo do meu coração.

  • Natália

    Foi sempre essa a visão que tive sobre o estupro: que ele mata. Mata mesmo quem é deixado em vida. Que é uma enorme violência contra qualquer ser humano; não sei como alguém consegue fazer isso com outra pessoa. E nessa infeliz sociedade, depois é a vítima quem “tem que” se esconder.
    E me dá ainda maior tristeza ver que a pedofilia, que foi percebida de algumas décadas para cá, é algo muito mais antigo. Com vítimas mais antigas. Que posteriormente “teriam” que se casar e se deparavam com maridos que exigiam delas virgindade e passariam o resto do casamento cobrando delas o ‘direito deles’ (mais uma vez, “o sonho de perfeição de alguém”). A existência, aceitação e cultuação desse tipo de violência me faz ver que vivemos numa sociedade extremamente mal educada, que se destrói e cultua a violência.
    Graças a Deus não me lembro de ter passado por essa experiência tão angustiante, sem direito à defesa, mas perceber-me sexualmente desejada por alguém me causa bastante incômodo e um certo medo. De qualquer modo, não acho que as pessoas tenham direito de lançar a outras olhares “invasivos” e cantadas de igual teor, pior ainda a meninas na puberdade que, como eu era, não têm sequer noção de seus corpos e do que eles podem representar na visão de outros.

  • Assunto pesadíssimo. A medida que eu ia lendo o seu relato, uma sensação de sufoco parecia crescer no meu peito. Lamento muito o que aconteceu com voce em tao tenra idade. Espero que um dia voce consiga encontrar a paz para seu nobre espírito.

  • Eu estou muito emocionada e contagiada pela sua dor que também é a minha dor,. Agradeço pelo relato, suas lágrimas são as minhas lágrimas de tristeza pelo que esse sistema nos faz. Eu importo-me.

  • Pensar que essas coisas acontecem debaixo de nossos olhos. Fico triste por você se sentir assim, mas não se sinta só e mto menos inferior. Enqto deixarmos os outros nos fazerem pequenos, seremos pequenos. Que Deus a abençoe, e se me permite, eu sugiro que procure auxilio em um centro e leitura espíritas. Você será ouvida e com certeza reconfortada.

  • Minha linda… que esse texto seja um rito de passagem e que após escrevê-lo expondo toda dor, toda alma, toda essa emoção dilacerada, você possa se reconstruir daqui pra frente. Que todas as palavras, agora que saídas, possam transmutar-se em lágrimas e que o choro seja libertação e reste a paz. SEU CORPO É SAGRADO, VOCÊ É SAGRADA e não interessa que até hoje não tenham lhe enxergado dessa forma, retome sua coroa, e veja a deusa, o sagrado, a força em seu reflexo no espelho.
    Todo amor que houver nessa vida pra você e a sua espera.

  • Cristiane

    Parabéns pela coragem. E eu sinto muito que você tenha passado por isso. E eu te desejo toda a força deste mundo

  • Leonardo

    Boa tarde,

    Sinto-me feliz de chegar até aqui e ver uma pessoa forte como você se expor e tratar de um tema com uma visão nunca retrada e muitas vezes escondida. Admiro sua coragem e obrigado por compartilhar.
    Sei que nunca entenderei a sua dor, mas me marcou profundamente e espero que tenha marcado mais pessoas.
    Relatos como esse são essenciais para mudanças significativas em nossa sociedade.

    Obrigado

  • Eduardo Viveiros

    Carai, que barra. Eu já tentei me suicidar também, algumas vezes, por causa da depressão, é realmente algo indescritível. Eu superei nem sei como, na verdade ela é algo que não se cura, aprende-se a conviver com ela, e eu acho que é isso que vivo hoje, tentar conviver com ela e mantê-la sob controle, porque o menor passo em falso e ela volta, então sempre atento. Uma luta diária. Eu só sei de uma coisa, comecei do começo, fui construindo cada tijolo pra barreira de contenção dia após dia, até que um dia eu fiquei mais forte que ela e a subjuguei. Não sei como será amanhã, por isso só tenho o presente, e vou aproveitando-o do jeito que dá, porque amanhã essa barreira pode cair e dar cabo disto tudo. Tente isto ,minha querida, não é uma fórmula infálível e segura, mas funcionou comigo e pode funcionar com você. Não sei quem você é, mas sempre estou por aqui, lendo os artigos das meninas do blogue, se precisar de um apoio, nós estamos aqui, faremos o que for possível de nossa parte. meu email: cavaleirodemalta@hotmail.com. Bj.