É preciso perceber que o humor não é isento, carrega consigo o discurso do racismo, machismo, homofobia, lesbofobia, transfobia. Diante de tantos humoristas reprodutores de opressão, legitimadores da ordem, fico com a definição do brilhante Henfil: “o verdadeiro humor é aquele que dá um soco no fígado de quem oprime”.
  • margareth

    Li seu texto na carta capital, e resolvi compartilhar para que muitas outras pessoas tenham a possibilidade de ler; é um bom convite para uma ótima reflexão! adorei…

  • Alessandra Lessa

    Não sou negra, sou branca de cabelo de espaguete, mas achei seu texto verdadeiro e belíssimo. Belo por traduzir o preconceito que também vivi, não atrelado a minha raça ou tom de pele mas ao estilo de vida de minha família. Observo o humor como uma saída para dores recalcadas e como tal, pode ultrapassar essas fronteiras para repetir-se ao provocar dor. O humor pode ser uma defesa pessoal, o indivíduo ataca para não ser atacado, e nesse caso de maneira tal que não se responsabiliza por tal ataque. Dessa forma, quem é atacado se defende de algo que não é seu, mas infelizmente quando pequenos não sabemos disso e nossa auto-estima fica comprometida. Não vejo graça nesse tipo de humor, nunca ví. A acidez corrói e dói, não faz rir.
    Parabéns por sua luta, que é a minha, é a nossa.
    Foi uma honra a apreciação de suas ideias e de seu texto.

  • Karla

    Eu me vi no quarto parágrafo, infelizmente acontecia o mesmo comigo algumas vezes, quando passava perto de um grupo de meninos. Eu ficava muito chateada, e também ficava revoltada pela audácia deles de sequer querer saber se eu gostaria ou não de ser “a mina” daquele que, nas cabeças preconceituosas deles, estava sendo “zoado”.
    Na escola, uma vez, um grupo se reuniu em uma aula e ficaram cantando a música “Nega do Cabelo Duro” para mim, e riam na minha cara. Um professor, em outra aula, perguntou a um aluno se ele gostaria de ficar comigo, ao que o menino com uma cara de nojo respondeu que não. Outra vez, um amigo meu dizia que eu era a Carla Perez – meu nome também é Karla – depois de tomar um choque, pois a pele estava escurecida e o cabelo armado, e os meninos que ouviam isso caíam na gargalhada. Tenho outras histórias de “humor para os racistas” que me tiveram como alvo, mas essas são as que mais me vêm à mente. Não é fácil se tornar adulta sem ter uma auto-estima pelo menos um pouco prejudicada depois de humilhações públicas como essas que eu vivi e que outras meninas negras viveram e vivem.

  • Cecília Brito

    Nossa, estou sem fala! O texto disse tudo o que eu sempre quis dizer, mas não sabia como! Obrigada por quebrar esse silêncio! Sempre acompanho o blog e particularmente adoro os textos da Djamila! Espero um dia poder conhecer essa mulher tão porreta!

  • Carla Suarrez

    Um dos melhores textos que já li na vida!! Parabéns, Djamila, você faz toda a diferença!!

  • Quel

    É exatamente assim, essas pessoas que estão por aí se fazendo de descoladas acham lindo rir dos outros, mas quando a gente faz o mesmo, não conseguem achar a mesma graça, falam que a gente apela, que não é a mesma coisa uma piada e outra.
    De fato, não é a mesma coisa, a piada parece só ter graça quando tem a ver com o oprimido. Hoje mesmo um colega fez uma piada sobre o cabelo (lindo!) de um menino negro na rua e eu retruquei, ele estava todo sorridente antes, mas “misteriosamente” ficou mal-humorado quando percebi, apontei e fiz graça sobre o preconceito dele…