Leia mais

Não fui selecionada. Por que será?

Ainda curiosa, saí do shopping Morumbi e fui até o Market Place. Pra quem conhece, sabe que ficam praticamente de frente um para o outro. Passei pela AREZZO, entrei e fiquei observando por alguns minutos. Sai e resolvi voltar pra casa. Como moro pertíssimo do shopping Jardim Sul, resolvi entrar passar na loja da mesma que aqui cito. Chegando em casa, ainda muito pensativa, conclui: não havia sequer uma funcionária NEGRA nas lojas onde fui.

Ninguém sobrevive à violência sexual

Um estupro não termina quando o agressor larga os nossos corpos, ele continua quando não acreditam em nossos relatos, quando duvidam da nossa dor, quando não lutam pelo fim do machismo na sociedade, quando insinuam que nossos corpos existem para serem consumidos, quando nos negam a possessão de nossos próprios corpos e quando tentam nos calar. O machismo mata todos os dias.

A síndrome de Cirilo e o ciclo de violência familiar

Meu pai sempre foi o tipo de negro que fingiu a vida toda que o racismo nada tinha a ver com a vida dele. Sempre negou sua raça e suas origens, o que para mim trouxe consequências terríveis uma vez que nunca me senti a vontade para dividir a dor de passar pelo racismo que eu passava na escola, por exemplo. Como todo negro q ue nega suas origens meu pai não poderia fazer diferente, escolheu uma mulher branca para se casar. As consequências desse ato, que decorreu da falta de orgulho de si mesmo que meu pai sentia, trouxe-me as piores consequências. A mulher que meu pai escolheu, minha mãe, além de ser branca é também racista. Com certeza alguém dirá: impossível! como uma branco racista pode se casar com um negr? A resposta a essa pegunta não é nenhum pouco simples, mas, no caso da minha mãe, e pelo que ela própria relata, parece ter ocorrido uma certa falta de opção.