Relações Interpessoais

Sobrevivendo apesar da falta de amor: Empoderamento afetivo da mulher negra

O tema afetividade não alude apenas às relações conjugais, mas também às relações familiares e os laços de amizade. Todos esses aspectos carecem de estudos no que concerne à população negra. A abordagem da afetividade seja através de ações e práticas sócio-culturais ou educacionais é fundamental no processo de empoderamento e fortalecimento da auto-estima das mulheres negras.

A heteronormatividade patriarcal do casamento

Mas e as mulheres lésbicas? Não existe apenas uma noiva, o casamento pra nós foi "legalizado" há menos de 5 anos, com muita luta e esforço. Mas nós realmente precisamos de uma condição imposta pela heteronormatividade pra nos considerarmos parceiras perante a lei e aos costumes? O nosso amor, e também as relações entre casais hétero, não é o bastante para nos considerarmos casadas e parceiras? A lei é realmente mais forte e realista do que a vivência e os acontecimentos diários que passamos juntamente às nossas parceiras?

A Mulher Negra e a Não Monogamia na prática

A mulher negra já é vista como um objeto a ser utilizado, está ali para servir. Quebrar esse paradigma nas relações vem sendo um dos maiores desafios na minha vida. As relações livres ainda são vistas como um problema menor numa sociedade com tanto nó cego para lidar. Como podemos estar preocupados com os formatos de relações num universo machista e racista? Ora quando eu me recuso a pertencer a alguém porque eu sou minha eu já estou num embate direto com estas duas vertentes do chorume, desconstruo relações de poder. E ai voltamos ao lance de que o Amor também é político.

Amor (afro)centrado: é possível falar nesses termos?

Sermos sujeitos de nossa história afetiva exige o reconhecimento de nosso lugar na história (escravizados, vítimas do racismo), com o prioritário papel de revertermos os efeitos deletérios dos sistemas de dominação para que promovamos o verdadeiro reencontro com nossa humanidade, que é um reencontro com o outro, aquela/e com a/o qual nos vinculamos.

Sororidade negra: laços invisíveis

Quando já não há palavras que deem conta de expressar o que sentimos quando vemos nossas irmãs sofrerem, ou mesmo quando vemos em seus olhos o brilho de satisfação de alguma conquista (que nos é tão caro e precioso), quando não nos cabe no peito a dor que sentimos pelas nossas irmãs ofendidas, ou a alegria imensurável que nos toma o corpo quando uma outra preta chega onde muitas de nós não conseguiremos porque diariamente os grilhões do racismo tende a nos aprisionar, só nos restará a sororidade negra, laço este de irmandade que servirá como o nosso amuleto de sorte, e a bala de canhão necessária para proteger umas as outras, e nos protegermos do mundo.