CABOKAJI lança single Gameleira

Música integra primeiro álbum homônimo do ajuntamento musical e o lançamento contará com a live Sessão de Caboclo, no Youtube

O exaltar do poder e da beleza feminina cabocla. Uma composição para falar, sentir e fazer reverberar o Feminino. É com esse levante que o ajuntamento musical baiano CABOKAJI – encontro músico-performance dos cantores, compositores, instrumentistas e pesquisadores da arte Caboclo de Cobre, ISSA, Mayale Pitanga e Ejigbo Oni – lança em todas as plataformas musicais digitais no próximo dia 09 de setembro, com patrocínio do Natura Musical e do Governo do Estado da Bahia – através do Fazcultura, o single e videoclipe Gameleira, que integra o seu primeiro álbum a ser lançado no próximo dia 24 de setembro, gravado no estúdio da Aquahertz Beats.

No perfil do Youtube, a banda realiza também a primeira edição da live Sessão de Caboclo, encontro reflexivo com a rapper indígena Katumirim, o Cacique Idyarrury, os indígenas Idyarone e Idyane, e o produtor musical Marcelo Sant’anna, para compartilhar visões e sensações, emoções e aprendizados vivenciados em comunidade, em movimento ancestre. Integrando o projeto Original CABOKS, este bate papo é um ponto de reflexão sobre os caminhos e objetivos e inspirações deste primeiro disco, um falar sobre o sagrado feminino indígena que influencia a escrita e poética de Gameleira.

Gameleira

Com composição de ISSA e Caboclo de Cobre, Gameleira passeia pelo kabila, misturando levadas de ragga e uma linguagem sonora pop que é sempre presente nas produções da banda. Ao trazer Gameleira como música de lançamento do álbum Cabokaji, a banda traz a poética de sua musicalidade – música para dançar, movimentar corpo e ideias, para evocar a energia ancestral que atravessa o tempo e nos traz até onde estamos e nos levará adiante, onde queremos estar.

“Gameleira tem um quê de sensualidade atrelada a uma perspectiva espiritual, porque é nosso ser tudo isso, ter toda essa potência e expressá-la através do corpo-espírito, nada indissociado, tudo junto e misturado. Cabokaji é um cipoal de música afroindígena onde as misturas acontecem organicamente – o repente, samba reggae, côco, dubwise, pagodão, etc., tudo que é nosso e conta nossa história, gingando através da existência”, descreve Ejigbo Oni.

Gameleira traz um refrão dançante, uma composição com uma diversidade rítmica intensa, característica do Cabokaji, provocando sensações variadas e estimulando a dança. De acordo com o músico Mayale Pitanga, Gameleira integra um álbum que nos faz navegar literalmente no nosso imaginário. “Cabokaji é como um livro, leia e sinta”,realça e acrescenta que lançar o projeto em parceria com a Natura Musical é importante pois esta empresa “colabora para dar mais força às vozes do Brasil”.

Em seu primeiro álbum, a banda resgata a importância dos povos originários para a musicalidade nacional brasileira, berço para o surgimento de diversos ritmos nordestinos, para além de uma gama rítmica ainda pouco explorada como rojão, aboio, dança de Búzios, Coco Fulni-ô, e outras mais populares como maracatu e afoxé. Cabokaji é um sopro para afastar a neblina, cortiça do esquecimento, que tanto atrapalha enxergar o valor e a contribuição incondicional deste povo.

O Cabokaji foi selecionado pelo edital Natura Musical, por meio da lei estadual de incentivo à cultura da Bahia (FazCultura), ao lado de Nara Couto, Mestre Aurino de Maracangalha, Mahal Pita e Mercado Iaô, por exemplo. No Estado, a plataforma já ofereceu recursos para 58 projetos de música até 2020, como Margareth Menezes, Jadsa, Mateus Aleluia e Ilê Ayê.

“A música propõe debates pertinentes, que impactam positivamente na construção de um mundo melhor. Acreditamos que os projetos selecionados pelo edital Natura Musical podem contribuir para a construção de um futuro mais bonito, cada vez mais plural, inclusivo e sustentável”, afirma Fernanda Paiva, Head of Global Cultural Branding.

Original CABOKS

Com uma produção musical contemporânea calcada em ritmos eletrônicos e um discurso pautado no “sorriso como ferramenta política e a dança como processo de cura”, Original Caboks é resultado do caminho já percorrido em dois anos desde sua criação e das vivências e contatos com ajuntamentos indígenas ocorridos na primeira etapa do projeto, de 12 de julho a 10 de agosto, com a comunidades tradicionais Fulni-ô, Xucuru-kariri e Kaxagô.

“Estar com eles foi fundamental, foi fundamento. Fundamento em religiosidade é a célula basilar do rito. Se Cabokaji é um grande Ritual, a sua célula basilar é toda esta herança e beleza indígena, trocada e partilhada em corpo presente e incorporado de sentidos”, pontua Caboclo de Cobre.

Além dos lançamentos de Gameleira (09/09) e do álbum Cabokaji (24/10), o projeto Original CABOKS – que conta com coordenação de produção de Luiz Antônio Sena Jr, produção executiva de Mariana Damásio e assistência de Sérgio Akueran – sairá em turnê de shows por quatro cidades nordestinas: Salvador (BA – 25 de setembro e 23 de outubro), Aracaju (SE – 02 de outubro), Maceió (AL – 09 de outubro) e Olinda (PE – 16 de outubro). Terras que construíram a base da musicalidade desse país.

O projeto conta ainda com o lançamento de mais dois videoclipes – Jurubeba e Chegança, cada um deles lançado em uma das cidades da turnê, Salvador e Olinda, respectivamente. O conceito poético dessas produções passa pela ritualística-visualidade-costumes, reverência e valorização das mulheres indígenas e a desmistificação dos povos originários enquanto indivíduos que estão à margem dos recursos tecnológicos e da geração de conhecimento.

Outro produto que integra o projeto é um curta experimental, documento do processo de construção dos shows e videoclipes, como recurso-memória neste resgate à ancestralidade afro-ameríndia. Todo esse material audiovisual conta com a direção  de fotografia do documentarista Ted Ferreira. Além disso, o projeto propõe a revitalização da Rádio Educativa Cultural Fulni-ô FM, que abriga o maior acervo do “Ia-Tê”, língua original da Aldeia Fulni-ô.

Sobre a banda Cabokaji

Cabokaji não é criado, ele é poeira cósmica musical permeada por histórias que atravessam tempos e estão marcadas em nossos corpos. Ocupação PRETA, INDÍGENA, CABOCLA. Dança de batida no coro. Em 2019, Natura Musical aproxima e expande os horizontes para o nascer do primeiro álbum Cabokaji, afirmação discursiva para a ocupação e a exposição do ajuntar para exaltar as culturas de povos pindorâmicos e corpos pretos atravessados para outro lado do atlântico e que atualmente nos enriquecem com forças ancestrais de orixás, nkisis e voduns.

Pandemia veio e o Covid-19 atravessou de forma direta a poética musical da CABOKAJI, individualmente entre seus integrantes e coletivamente. As rítmicas também acabaram se tornando mais populares, os arranjos se tornaram mais afetivos, o sorriso se tornou mais presente e a vontade de estarmos juntos se tornou mais pulsante.

Cabokaji é aldeamento, resultado do “Ajuntamento” de muita energia positiva, partilhas e trocas. Em dois anos de existência espalha o som pela valorização dos universos africanos e dos povos pindorâmicos, culturas dotadas de saberes, costumes, belezas, mistérios e musicalidade presentes nos corpos brasileiros. É o tempo espiralar, a ancestralidade que é ontem, hoje, amanhã-agora.

Além do Prêmio Natura Musical 2019, para a produção do seu primeiro disco, Cabikaji coleciona o prêmio na categoria de “Melhor Arranjo para Música com Letra”, com o single “Chegança”, no 18º Festival de Música da Educadora FM, em 2020, em que teve contribuição de Dandê Bahia e Produção da AquaHertz Beats.

O QUE: lançamento de single banda Cabokaji

QUANDO: 09 de setembro

ONDE: plataformas digitais.