Com curadoria assinada em parceria entre o Itaú Cultural e o crítico de teatro Valmir Santos, a programação abre no dia 26 de setembro(quarta-feira) com a mesa Reflexos da vida real na arte e na cultura com o escritor Marcelino Freire e Onisajé (Fernanda Julia), diretora fundadora do Núcleo Afro brasileiro de Teatro de Alagoinhas; e no dia 27 (quinta-feira), às 16h, tem a mesa A atualidade de Plínio Marcos, “repórter de um tempo mau”, com o crítico Alcir Pécora e a atriz Walderez de Barros, e às 20h, o espetáculo Navalha na Carne Negra, com direção de José Fernando Peixoto de Azevedo.

Os nove dias de programação da segunda edição do Crítica em Movimento apresentam peças, debates e um show cênico. Entre os convidados para falar sobre como as artes sempre

se aliaram à atualidade estão as atrizes Walderez de Barros e Cecilia Boal, também presidente do Instituto Augusto Boal, e o escritor Marcelino Freire. Os debates se expandem para uma visão ampliada da América Latina.

De 26 de setembro (quarta-feira) a 7 de outubro (domingo), o Itaú Cultural realiza a segunda edição de Crítica em Movimento, programação com espetáculos, leitura dramática, mesas e um show cênico, direcionada à diversidade de pontos de vista. Isento de discursos panfletários e com distanciamento dos mais recentes e emblemáticos acontecimentos, a proposta é mobilizar desde o espectador comum e estudantes até profissionais das artes cênicas, da crítica, gestores culturais e pensadores de outros campos de expressão, para refletirem em que medida o momento sociopolítico influencia as obras e os seus desdobramentos poéticos. A curadoria é assinada em parceria entre o Itaú Cultural e o crítico de teatro Valmir Santos.

A programação, abre no dia 26 (quarta-feira), às 20h, com a mesa Reflexos da vida real na arte e na cultura. O debate, que tem participação do escritor Marcelino Freire e de Onisajé (Fernanda Julia), diretora fundadora do Núcleo Afro brasileiro de Teatro de Alagoinhas, na Bahia, lança um olhar sobre como o campo da subjetividade na expressão artística é impregnado por dados da realidade. A encenadora, educadora e pesquisadora teatral Verônica Veloso faz a mediação.

A atualidade de Plínio Marcos, “repórter de um tempo mau”, é o tema da mesa do dia 27 (quinta-feira), às 16h. Nela, Alcir Pécora, crítico literário, professor e organizador da coleção Plínio Marcos: Obras Teatrais (Funarte, 2016), e a atriz Walderez de Barros, que teve seu trabalho no teatro diretamente ligado a essa produção, se debruçam sobre a obra do dramaturgo Plínio Marcos (1935-1999), sempre tomada pelo universo das prisões, fugas, subproletariados e prostitutas, além de conflitos relativos à classe média. A mediação é de Valmir Santos.

No mesmo dia, às 20h, o público confere Navalha na Carne Negra, espetáculo com direção geral de José Fernando Peixoto de Azevedo, baseado em Navalha na Carne, clássico de Plínio Marcos de 1968, focado em três personagens centrais: uma prostituta, um cafetão e um camareiro gay, tidos como escória da hierarquia capitalista. Nesta montagem, no entanto, a atriz Lucelia Sergio, da Cia Os Crespos (SP), e os atores Raphael Garcia, do Coletivo Negro (SP), e Rodrigo dos Santos, da Cia dos Comuns (RJ), problematizam em cena o corpo negro e seus históricos processos de marginalização social, trazendo à tona questões relativas à hierarquização vigente nas sociedades contemporâneas: quem são esses “marginais” de Plínio Marcos, hoje?

Além fronteiras

Nesta edição, o Crítica em Movimento expande o olhar sobre a interferência da realidade nas artes para além dos palcos brasileiros.  Assim, o debate do dia 28 (sexta-feira), às 16h, tem como tema O gesto artístico e a realidade latino-americana. Participam da mesa a crítica e pesquisadora teatral, editora e professora cubana Vivian Martínez Tabares, a doutora em artes cênicas e coordenadora do Coletivo Rubro Obsceno Stela Fischer e a psicanalista e atriz que preside o Instituto Augusto Boal, Cecilia Boal.

Com mediação da antropóloga e professora do Departamento de História da Arte da Universidade Federal de São Paulo – Unifesp, Ilana Goldstein, elas debatem como conjugar a singularidade estilística e o pensamento crítico da produção artística da América Latina. Levam em consideração que as criações em literatura, música, cinema, teatro e artes visuais têm relevância documental para esses países marcados por processos violentos de colonização europeia.

Neste mesmo dia, às 20h, a atualidade na produção latino americana vai também para o palco, com a apresentação da peça Jacuzzi, com o grupo cubano Trébol Teatro. As apresentações do espetáculo, dirigido por Yunior García Aguilera são nos dias 28 e 29 (sexta-feira e sábado) e colocam em cena Susy e Pepe, um casal que faz uma festa para despedir-se de Roma e voltar a Havana. Na despedida, o único convidado é Alejandro, melhor amigo de Pepe e ex-namorado de Susy, que, entre taças de vinho e a espuma da jacuzzi – a qual Suzy reconhece que nunca poderia ter enquanto morava em Cuba –, cada personagem vai reforçando seu posicionamento em relação à política e à vida, inclusive a amorosa.

A noite do dia 28, conta ainda com uma programação a mais dentro de Crítica em Movimento: trata-se da leitura dramática do 1º ato de Bixa Monstra presidenta, peça da Cia Humbalada de Teatro, às 23h59. Marcado por forte influência do texto Gota Dágua, de Chico Buarque e Paulo Pontes, o espetáculo começa com uma notícia de jornal, na qual o país descobre que o presidente da república tem como amante uma “bicha” prostituta. A partir de então, é feita uma crítica ácida, cômica e emocionante ao atual sistema político e ao que toca em questões de gênero e sexualidade. O espetáculo, dirigido por Bru César, traz um elenco composto por 10 atrizes e atores do Grajaú.

O desafio de concretizar arte no imaginário do espaço público/comunitário é o tema do debate que abre a programação no dia 29 (sábado), às 16h. O ator, dramaturgo e diretor João Junior, do grupo Estopô balaio, o diretor, ator e co-fundador da Trupe Olho da Rua, de Santos, Caio Pacheco e a coordenadora de pesquisa do Grupo Caixa de Imagens Mônica Simões, analisam em que medida os projetos artísticos são inscritos na comunidade, como atingem uma dimensão cultural e constroem pontes de cidadania. À noite, o público confere a segunda apresentação do espetáculo cubano Jacuzzi.

No dia 30 (domingo), o Crítica em Movimentoabriga, às 15h, a 24ª edição do Encontro com o Espectador, com a participação do diretor José Fernando Peixoto de Azevedo e do ator Rodrigo dos Santos. Voltada sempre a um olhar sobre um dos espetáculos teatrais em cartaz em São Paulo, a atividade realizada em parceria pelo Itaú Cultural e o Teatrojornal – Leituras de Cena, tem como pauta Navalha na Carne Negra. A mediação do encontro é do crítico Kil Abreu.

A primeira semana da programação fecha às 19h, com a Trupe Lona Preta em O Circo Fubanguinho. Sob direção de Sergio Carozzi e Joel Carozzi e inspirado em charangas, farsas e bufonarias, o espetáculo usa a música para pontuar e costurar seu enredo, que gira em torno de dois palhaços demitidos e expulsos do picadeiro, mas que tentam voltar à ativa a qualquer custo.

Mobilizadores

A segunda semana de programação começa no dia 4 de outubro (quinta-feira), às 10h, com a oficina de Teatro Aspectos Culturais/Religiosos De Matriz Africana Para O Processo De Composição De Personagens (inscrições encerradas), ministrada por Hilton Cobra (interpretação), Ana Paula Bouzas (preparação corporal), Valéria Monã (dança afro) e Duda Fonseca (Capoeira). A proposta é construir com os participantes um repertório de possibilidades (gestuais, movimentos, sabores, paladares, cores, instintos, vestuários, sons, instrumentos etc), pertinentes à cultura ancestral de matriz africana, que possam contribuir para a criação e construção de personagens.

Às 20h, o público confere O Avesso do Claustro, show cênico com a Cia. do Tijolo, inspirado na vida e obra de Dom Helder Câmara. A presença inspiradora, as ideias revolucionárias, as históricas lutas de resistência política durante o regime militar de Dom Helder Câmara são a base do espetáculo, que é uma espécie de vigília coletiva para os dias de hoje, reunindo, ainda, canções de outros espetáculos da Cia do Tijolo. O grupo aproveita a apresentação para lançar o CD do espetáculo, com os textos e as música apresentadas em cena.

No dia 5 (sexta-feira), Poéticas da Cena Engajadaé o tema que comanda a mesa que acontece às 16h, sob mediação do crítico Kil Abreu. Reunindo o ator Hilton Cobra, a atriz Naruna Costa e o diretor Rogério Tarifa, o debate questiona como abordar os malefícios da sociedade sem prejuízo ao campo das artes. O ponto de partida desta reflexão são temas sociopolíticos presentes no panorama brasileiro contemporâneo, como questões de identidade e de gênero, assim como os movimentos antirracismo e em defesa de etnias e pelo feminismo.

Às 20h, é apresentada a peça A Mulher Arrastada. A dramaturgia de Diones Camargo dirigida por Adriane Mottola é inspirada em caso real ocorrido em março de 2014, no Rio de Janeiro, com Cláudia Silva Ferreira – mulher negra, auxiliar de serviços gerais num hospital, 38 anos, mãe de quatro filhos biológicos e quatro adotivos. Após ser assassinada pela Polícia Militar ao sair de casa, seu corpo foi atirado às pressas no camburão da viatura e arrastado ainda com vida pelo tráfego da capital fluminense. A peça propõe uma reflexão acerca das barbáries a que a população periférica do país é submetida diariamente, e traz a personagem central de volta, reivindicando o que durante a cobertura jornalística do caso foi aos poucos apagado: o seu nome, substituído pela alcunha de “mulher arrastada”.

A última mesa desta edição do Crítica em Movimento acontece no dia 6 (sábado), às 16h, tendo como tema O sujeito periférico e a luta por políticas públicas. Com a participação da professora da Escola Paulista de Política, Economia e Negócios da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Esther Solano, o também professor da Unifesp, no Campus Zona Leste/Instituto das Cidades Tiaraju Pablo D’Andrea, e o gestor cultural, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), gestor e pesquisador em políticas públicas Alfredo Manevy, o encontro aborda os desafios daqueles que lidam com os fazeres artístico e cultural, em um cenário nacional de cada vez mais subtração dos direitos sociais. A mediação é de Carlos Gomes, ator e coordenador do Núcleo de Cênicas do Itaú Cultural.

Quando Quebra Queima, com a ColetivA Ocupação fecha a programação com a apresentação nos dias 6 e 7 (sábado e domingo). A peça, dirigida por Martha Kiss Perrone, é uma “dança-luta” coletiva, construída a partir das experiências de 14 estudantes que viveram o processo de ocupações e manifestações do movimento secundarista em São Paulo. Ela coloca em cena textos, músicas, coreografias e fotos feitas durante o período da ocupação, cantando, ainda, gritos de luta, e evocando as ações e os movimentos de rua.

SERVIÇO

Crítica em Movimento: Presente

De 26 setembro (quarta-feira) a 7 de outubro (domingo)

Toda a programação tem interpretação em Libras

Entrada gratuita.

Distribuição de ingressos:

Público preferencial: 1 horas antes do espetáculo (com direito a um acompanhante)

Público não preferencial: 1 hora antes do espetáculo (um ingresso por pessoa)

Estacionamento: Entrada pela Rua Leôncio de Carvalho, 108

Se o visitante carimbar o tíquete na recepção do Itaú Cultural:

3 horas: R$ 7; 4 horas: R$ 9; 5 a 12 horas: R$ 10.

Com manobrista e seguro, gratuito para bicicletas.

Itaú Cultural

Avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô.