Hilton Cobra traz de volta à cena o monólogo teatral que celebra a genialidade e a obra do grande escritor brasileiro. Curta temporada popular no Teatro Carlos Gomes.

A CIA DOS COMUNS volta à cena com seu elogiado projeto artístico-investigativo-formativo: o monólogo teatral “Traga-me a cabeça de Lima Barreto”. Inspirado livremente na obra de Lima Barreto (13/5/1881 * 1/11/22), especialmente em Diário Íntimo e Cemitério dos vivos, “Traga-me a cabeça de Lima Barreto” reúne trechos de memórias impressas nas obras de Lima Barreto, entrecruzadas com livre imaginação. O texto de Luiz Mafuz foi escrito especialmente para Hilton Cobra, que celebra 40 anos de carreira artística, e tem direção de Fernanda Júlia (do NATA – Núcleo Afrobrasileiro de Teatro de Alagoinhas). Serão quatro únicas apresentações – dias 13 e 14 e 20 e 21 de setembro, no Teatro Carlos Gomes.

As apresentações das quartas-feiras, dias 13 de setembro às 15h e 20 de setembro às 10h30, serão exclusivas para estudantes, com entrada franca. Já as apresentações dos dias 14 e 21 de setembro, serão às 19h, com ingressos populares, R$ 20,00 – R$ 10,00, para o público em geral e R$ 5,00 (promocional) para ONGs, Pré-vestibulares comunitários e redes sociais.

“Se em vida me submeti às mais sórdidas humilhações, em morte não cederei”

O texto fictício tem início logo após a morte de Lima Barreto, quando eugenistas exigem a exumação do seu cadáver para uma autópsia a fim de esclarecer “como um cérebro inferior poderia ter produzido tantas obras literárias – romances, crônicas, contos, ensaios e outros alfarrábios – se o privilégio da arte nobre e da boa escrita é das raças superiores?”. A partir desse embate com os eugenistas, a peça mostra as várias facetas da personalidade e da genialidade de Lima Barreto, sua vida, família, a loucura, o alcoolismo, sua convivência com a pobreza, sua obra não reconhecida, racismo, suas lembranças e tristezas.

A narrativa ganha força com trechos dos filmes “Homo Sapiens 1900” e “Arquitetura da Destruição” – ambos cedidos gentilmente pelo cineasta sueco Peter Cohen. O cenário, de Marcio Meirelles – um verdadeiro manifesto de palavras – contribui para a força cênica juntamente com o figurino de Biza Vianna, a luz de Jorginho de Carvalho, a direção de movimento de Zebrinha e a música de Jarbas Bittencourt. Os atores Lázaro Ramos, Frank Menezes, Harildo Deda,  Hebe Alves,  Rui Manthur e Stephane Bourgade – todos amigos e admiradores do trabalho de Cobra, emprestam suas vozes para a leitura em off de textos de apoio à cena.

Hilton Cobra, que criou a Cia dos Comuns em 2001 com o propósito de trazer à cena uma cosmovisão artisticamente negra especialmente no âmbito das artes cênicas, fala da motivação para encenar “Traga-me a cabeça de Lima Barreto”: “É importante discutir eugenia e racismo a partir de Lima Barreto. Também é um reconhecimento à Lima – um autor tão pisoteado, tão injustiçado, que pensou tão bem esse Brasil, abriu na literatura brasileira “a sua pátria estética”, os pisoteados, loucos, os privados de liberdade – esses são os personagens de Lima Barreto. Acredito que ele deve ter sido, se não o primeiro, um dos primeiros autores brasileiros que colocaram esse “submundo” em qualidade e com importância dentro de uma obra literária”.

Reconhecimento do público e crítica especializada

Traga-me a cabeça de Lima Barreto cumpriu sua primeira temporada no Sesc Copacabana (RJ) no período de 14 de abril a 7 de maio, com grande sucesso de público e crítica. Recentemente, o espetáculo teve apresentação, com ingressos esgotados, na Flip – Festa Literária Internacional de Paraty. Gilberto Bartholo, crítico teatral, assim descreveu o espetáculo:

“…O texto é genial, mesclando ineditismo com frases de eugenistas e do próprio LIMA BARRETO. Tudo o que é dito se encadeia muito bem e se apresenta de uma forma meio didática, porém não enfadonha; muito ao contrário, é dinâmico, valorizado pela magnífica e irrepreensível atuação de HÍLTON COBRA, um ator de grandes possibilidades técnicas, que, parecendo imantado, atrai os espectadores, desde sua entrada triunfal em cena, e mantém essa atração até o apagar do último refletor. Dono de um carisma, de um talento e de uma gigantesca presença de palco, Hilton nos brinda com uma atuação inesquecível, um convite a voltar àquele espaço, para aplaudi-lo mais e mais…”

O site Conversa de Historiadoras publicou a seguinte resenha sobre o espetáculo: “…Traga-me a cabeça de Lima Barreto, monólogo interpretado por Hilton Cobra, chega aos palcos, neste conturbado 2017, como um exercício de cura compartilhada com o público, no qual somos convidadas/os a ver o escritor negro como protagonista de um acerto de contas com o passado que cria novas possibilidades de futuro…”

“Traga-me a cabeça de Lima Barreto”, foi contemplado com o 4º Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afro-Brasileiras. A temporada no Teatro Carlos Gomes conta com o patrocínio da Petrobras, parceria da Fundação Palmares/Minc/Governo Federal, apoio da Secretaria Municipal de Cultura e realização do CADON. O espetáculo celebra, também, os 135 anos do nascimento de Lima Barreto e os 15 anos da Cia dos Comuns.

Serviço: Traga-me a cabeça de Lima Barreto

Monólogo teatral que celebra a genialidade de Lima Barreto, refletindo sobre loucura, racismo e eugenia.

Nova temporada no Teatro Carlos Gomes

Praça Tiradentes, s/no – Centro – Rio de Janeiro. Tel: 2215 0556. Lugares: 655

Dias 13/9 às 15h e 20/9 às 10h30 – SOMENTE PARA ESTUDANTES. ENTRADA FRANCA

Dias 14/9 e 21/9 às 19h – INGRESSOS POPULARES.  Inteira R$ 20,00 Meia R$ 10,00 Promoção R$ 5,00

Classificação etária: 14 anos | Duração: 60 minutos

Reserva de ingressos promocionais para ONGs, Pré-vestibulares comunitários e organizações de mobilização social através dos contatos:

Cia dos Comuns: 21-2232 9558 (a partir das 9h) / Whatsapp: 21-98804 6669 / Facebook: Traga-se a cabeça de Lima Barreto / E-mail: comuns@terra.com.br

Ficha Técnica:

Hilton Cobra – Ator | Luiz Marfuz – Dramaturgia | Fernanda Júlia – Direção | Cenário: Vila de Taipa (Laboratório de Investigação de Espaços do Teatro Vila Velha), Erick Saboya, Igor Liberato e Márcio Meireles | Desenho de Luz: Jorginho de Carvalho e Valmyr Ferreira | Figurino: Biza Vianna | Direção de Movimentos: Zebrinha | Direção Musical: Jarbas Bittencourt |Direção de vídeo: David Aynnan | Direção de Produção: Tania Rocha | Design gráfico: Bob Siqueira e Gá.

Participações especiais (voz em off): Lázaro Ramos, Frank Menezes, Harildo Deda,  Hebe Alves,  Rui Manthur e Stephane Bourgade