Pensando a diversidade de experiências discriminatórias vividas por corpos de negros em diferentes espaços e ambientes, a artista e performer paulistana Val Souza apresenta o solo de dança Bang!, resultado de suas percepções acerca das violências e do modo de viver dos corpos de negros no Brasil.

A apresentação acontece na Praça da Cruz Caída, no centro antigo da capital baiana, em um ambiente no qual a artista flutua com o auxílio de intervenções sonoras que aliadas a sua presença física se transformam em disparadores para uma discussão sobre a invisibilidade de corpos de negros, criminalização, violência e presença destes corpos marginalizados em todo o país incluindo a cidade de Salvador, onde Val Souza reside atualmente para cursar mestrado na Universidade Federal da Bahia.

Na sequência o público é convidado para participar de um debate na Katuka Africanidades com a performer e pesquisadora Val Souza e a escritora Cidinha da Silva sobre o processo criativo e a estética de mulheres negras. Fruto de conversas entre ambas, o encontro nasce a partir das impressões de Cidinha da Silva sobre a performance Desbunde, apresentada por Val no Goethe durante os Diálogos Insubmissos de Mulheres Negras e das inquietudes geradas pela pesquisa de mestrado da performer de São Paulo como a necessidade de fugir da obviedade, da necessidade de se pensar os corpos de negros nas diáspora e quais são as sensações provocadas por ser uma mulher negra brasileira.

Nessa linha de fuga dos caminhos previsíveis, a contribuição de Cidinha da Silva é um convite para uma reflexão sobre articulações de formas contemporâneas de pensar corpos de negros a partir de uma reflexão sobre a questão da memória como depósito de informações e produtora de sentidos.

“Eu tenho como processo artístico pensar a experiência da minha presença negra nesse mundo branco falocêntrico. Como resultado dessas relações venho elaborando produções não só no campo da performance como criação artística e de produção cultural, mas também em teatro, dança, educação, curadoria e comunicação. Minha poética está em criar constrangimento, afetações, e mostrar o racismo estrutural desse país. Eu não sou ingênua ao propor isso eu também estou disposta a agenciar e receber afetações e constrangimentos.” – Val Souza.

Local:

Onde: Katuka Africanidades – Rua Chile s/n° – Centro

Quando: 25 de agosto, às 18h

Quanto: Grátis

Para saber mais sobre a artista acesse:

www.instagram.com/performervalsouza

https://vimeo.com/valsouza