A policia bate, espanca, mata muito mais a minha cor do que a sua

Eu tô falando com vocês que estão ávidos pela redução da maioridade penal. Eu tô falando com vocês que não veem cor, que não veem classe social. Que querem justiça independentemente de cor ou classe. Vocês precisam entender de uma vez por todas que se vocês se negam a enxergar e negam todo um contexto social que a polícia não nega. Alias, a polícia sabe direitinho a quem abordar, como abordar, e o que fazer quando a abordagem dá errado.

Mas então, por quê?

A gente não precisa de proteção, a gente não precisa de um príncipe, a gente não precisa de alguém que nos cerque por todos os lados, a gente não precisa casar, a gente não precisa ter filho, a gente pode ter cabelo curto, a gente pode beber com os amigos, com a família, com o diabo! A gente pode o que a gente quiser. Inclusive revidar.
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Racismo disfarçado de ciência

Diametralmente oposto a esse padrão aceitável se encontra, por lógica, o corpo negro. O corpo negro, seus traços, sua genética, seu fenótipo e a infantil tentativa de negar a construção social que tem o gosto. Somos, todos nós – negrxs e brancxs – expostos desde crianças a propagandas, programas infantis, desenhos, revistinhas em que predomina um padrão de beleza europeu. “Gosto não se discute” porque a mídia já deliberou sobre ele por nós, apresentou-o e nós, como o esperado, compramos não só o gosto mas também o slogan. Continuemos sorrindo!
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“Se não usar desodorante, fico com cheiro de neguinha”

Negação + racismo velado são o que mais me preocupa nessa luta contra o racismo. Encobrir essa violência, negando-a desesperadamente, baseando-se na “supremacia” de ser só quem você é mesmo (nenhum desses que citei é antropólogo, historiador, sociólogo, nada disso) talvez me pareça o pior face do racismo, porque tenta calar uma dor que nenhum deles sofreu e jamais vai sofrer.